O ecossistema de startups brasileiro passou por uma turbulência considerável entre 2023 e 2025. O aperto monetário global, a queda nas avaliações de empresas de tecnologia e a retração dos fundos de venture capital criaram um ambiente hostil para novos negócios. Mas há sinais de que o ciclo está mudando.

Nos primeiros meses de 2026, o volume de aportes em startups brasileiras cresceu 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). O número ainda está abaixo do pico de 2021, mas a tendência é positiva.

Setores em destaque

As fintechs continuam sendo o segmento mais aquecido, mas outros setores ganharam relevância. Agrotecnologia, saúde digital e soluções para educação figuram entre os que mais atraíram capital nos últimos meses. "O Brasil tem vantagens competitivas claras em agro e saúde. Não é surpresa que o dinheiro esteja indo para lá", observa um analista do setor.

As startups de inteligência artificial também estão no radar dos investidores, embora o ceticismo em relação às avaliações ainda seja maior do que em outros mercados. Fundadores brasileiros relatam que os VCs estão mais exigentes em relação a métricas de receita e eficiência operacional.

O papel do BNDES

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem ampliado sua atuação no ecossistema de inovação. Programas de crédito e participação acionária em fundos de venture capital ajudaram a manter o fluxo de capital durante os anos mais difíceis. Para 2026, o banco anunciou a expansão de linhas específicas para startups em estágio inicial.

Ainda assim, os empreendedores alertam que o ambiente regulatório e a carga tributária continuam sendo obstáculos relevantes. "A gente compete com startups americanas e europeias que operam em ambientes muito mais simples", diz um fundador de uma fintech paulistana que preferiu não se identificar.